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Ficar ou fugir do problema da pesquisa em artes?

Por Renato Cirino. Em 09/06/26 21:04. Atualizada em 09/06/26 21:36.

No dia 15/6 às 14h, a FAV recebe o artista e professor Gustavo Torrezan para palestra sobre pesquisa e processos de criação em artes

Dia 15 de junho de 2026, segunda-feira, às 14h no Auditório da FAV. Conversa com Gustavo Torrezan (EBA-UFMG)

Mediação de Glayson Arcanjo (FAV-UFG). Esta atividade integra a semana das pré-bancas de Trabalho de conclusão de curso (TCC) do curso Artes Visuais Bacharelado da FAV - UFG

“Ficar ou fugir do problema da pesquisa em artes?

O processo de criação como arma para habitar crises sem soluções rápidas, futurismos utópicos ou desesperos”

Resumo da Palestra

Ficar com o problema na pesquisa e na produção artística significa, de algum modo, habitar o desconforto, atravessar dores e alegrias, experimentar a diversão, mas também reunir forças para enfrentar as dificuldades do presente enquanto artistas-pesquisadores em artes. Em vez de buscar saídas redentoras, que prometem uma salvação confortável, ou perspectivas apocalípticas que conduzem à paralisia diante da complexidade do mundo, esta palestra propõe olhar para o processo de criação — e, por consequência, para a pesquisa em artes — como um modo de experimentar outras formas de relação com o mundo. Trata-se de exercitar, por meio da prática artística, a máxima zapatista de que “no mundo possam caber infinitos mundos”.

Foto de divulgação

“Ficar com o problema” é uma formulação-proposta pela pensadora Donna Haraway e nesta conversa, o conceito será deslocado para o campo das artes, permitindo pensar os processos de criação artística e de pesquisa como meios de viver, agir e construir relações. Tais relações envolvem tanto seres vivos quanto seres não vivos, incluindo os materiais que frequentemente compõem os processos artísticos. Nesse contexto, a noção de parentesco é compreendida como uma prática de solidariedade, interdependência e colaboração, capaz de ampliar as possibilidades da criação.

Partindo dessa perspectiva, a palestra apresentará o percurso criativo do artista e pesquisador Gustavo Torrezan, destacando as relações entre suas investigações teóricas e a produção de seus trabalhos artísticos. Serão abordados projetos, processos e obras desenvolvidos ao longo de sua trajetória recente, com especial atenção à exposição Modernização Conservadora, atualmente em cartaz na Cerrado Galeria, com curadoria de Divino Sobral.

Sobre Gustavo Torrezan

É artista, educador, pesquisador. Professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais e no Programa de Pós Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, doutor em poéticas visuais pela Unicamp. Participou de exposições como “História das Ecologias” (MASP, 2025); “As Vidas da Natureza Morta”(Museu AFROBrasil, 2024); “34o Panorama da Arte Brasileira”(MAM-SP, 2022), entre outras. Possui trabalhos em coleções públicas como Museu de Arte de São Paulo (MASP); Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte do Rio (MAR); Museu de Arte de Brasília (MAB); Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS); Coleção Amazoniana (UFPA).

Em seus trabalhos, Em sua prática artística, volta-se a refletir sobre as estruturas de poder que configuram historicamente as organizações coletivas, bem como suas constituições culturais e identitárias. Realiza trabalhos híbridos nas quais se vale de diferentes materiais e disciplinas para discutir sobre relações de domínio, a partir das quais se modulam os processos de subjetivação da sociedade. Assim, tem interessado em observar o papel do Estado, de seus regimes administrativos, de suas autoridades e instituições. Nesse processo, evoca os campos da sociologia, da geopolítica e da ecologia em suas pesquisas conceituais, fazendo, muitas vezes, uso de símbolos oficiais da nação para tencionar suas conotações. Para além da experimentação com a síntese e com procedimentos de revisão simbólica, propõe também o debate sobre os mecanismos de poder em dispositivos do sistema das artes, aproximando-se das questões de arquivo, memória, espaço, lugar e território. Por vezes, seus trabalhos insurgem de circunstâncias comunitárias específicas e aproxima-se dos processos sociais ligados a uma determinada localidade. Nesse sentido, as noções de colaboração e de dialogia também vêm sendo exercitadas em sua produção.

Foto de Gustavo Torrezan

Sobre Glayson Arcanjo de Sampaio

Artista, educador e pesquisador. Professor na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. Coordenador da Galeria da FAV. Doutor em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas (2018), Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008). Bacharel em Educação Artística pela Universidade Federal de Uberlândia (2006).

Possui obras nos acervos da Pinacoteca de São Paulo; Museu de Arte do Rio Grande do Sul; Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás, Museu de Arte da Universidade de Uberlândia.

Sua pesquisa tem como interesse a passagem do tempo e as transformações das matérias no mundo, sejam as ocasionadas por eventos naturais ou pela ação humana. Tem investigação sobre ruínas, vestígios e situações efêmeras ocorridas em paisagens e espaços transitórios. Trabalha com diversas mídias e linguagens, principalmente com desenho, fotografia, ações corporais e vídeo, cujos procedimentos se desdobram para instaurar diferentes vias de arruinamento, seja em seu próprio processo de criação ou na fatura das obras. Atualmente tem observado as relações entre arte e natureza, com crescente interesse por paisagens que se encontram em estados de erosão, desmatamento, destruição, etc. Suas pinturas e instalações recentes utilizam-se de terras coletadas em caminhadas e deslocamentos na região Centro-oeste do país e são provocações poéticas para pensar a condição das monoculturas exploratórias praticadas no Cerrado, intencionando abordá-las enquanto possíveis campos para criação e para imaginação de outros possíveis universos subjetivos, políticos e sociais.

Foto de Glayson Arcanjo

Fonte: Glayson Arcanjo

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